PRIMEIRAS ATIVIDADES DO SERVO DE DEUS
MARCOS CAVANIS: LEIGO – CATEQUISTA – PADRE
PRIMEIRAS ATIVIDADES DO SERVO DE DEUS
Neste documento trataremos as várias atividades do Servo de Deus durante o período que antecede a entrada no estado eclesiástico: 13 de fevereiro de 1806, quando finalmente teve a possibilidade de deixar o seu emprego e seguir seu irmão.
Marcos entrou na chancelaria ducal quando Antonio se tornou padre. Marcos foi funcionário público por muitos anos, porque as circunstâncias o impediram de realizar antes seu desejo de ser padre. Mas justamente nessa prolongada experiência de vida, que o colocou em contato com as complicadas redes da burocracia, é possível vermos o desígnio da Providência, que preparava nele o homem capaz de enfrentar os inúmeros obstáculos que a própria burocracia napoleônica primeiro e austríaca depois, teria oposto ao seu zelo.
OS NOTÁRIOS E OS SECRETÁRIOS DA CHANCELARIA DUCAL
Os ofícios da Chancelaria Ducal e das várias magistraturas superiores eram reservados aos cidadãos originários, reconhecidos como tais pelos magistrados. Para as magistraturas inferiores em vez, os notários, os notários fiscais e os outros funcionarios eram escolhidos entre os cidadãos originários das províncias.
A eleição dos secretários e notários da Chancelaria Ducal dependia somente do Conselho dos Dez. O jovem aspirante só podia apresentar-se ao escrutínio depois de ter atingido a idade de 16 anos e de ter sido submetido ao exame apropriado perante os magistrados. No princípio, era eleito notário extraordinário em espera, e não podia ingressar na chancelaria até os dezoito anos, conforme exigido por uma lei de 1589. Recebia então o título de fiel.
Os notários compreendiam duas classes: notários ducais ordinários, em número de 24, e extraordinários em número ilimitado, conforme as necessidades. Do Grande Chanceler eram enviados às várias magistraturas com o título de secretários, ou para embaixadas com o título de secretários ducais. Autenticavam as cópias dos decretos e das cartas ducais, assinando como notários ducais.
Os secretários, chamados com o título de circunspectos, eram: 4 no Conselho dos Dez e 24 no Senado. Entre eles eram escolhidos os embaixadores nas cortes de Milão, Turim, Nápoles, Londres, e recebiam o nome de residentes. Os membros da Chancelaria Ducal eram proibidos de sair do território da República e manter relações com estrangeiros.
ATIVIDADES DE MARCOS LEIGO
A atividade do Servo de Deus no período, que vai de 1787 a 1806, é de particular importância, tanto pela sua intensidade como pelo espírito que a anima. Nesse período, de fato, vemos amadurecer no jovem Marcos aquele espírito dinâmico de intrepidez corajosa e constância, que, se em parte foi um dom da natureza, em grande parte também foi fruto de uma correspondência fiel e generosa à sábia educação familiar e à graça divina.
Depois de ter passado, aos 12 anos e meio, no exame que lhe dava o direito de concorrer a uma vaga na Chancelaria Ducal, Marcos continuou a frequentar a escola do Pe. Gioachino Calderari primeiro e depois com o Abade Antonio Venier. Enquanto isso, como os outros jovens matriculados nas secretarias, também era admitido às vezes em sessões de escritório; e, já avançado em anos, lembrava-se “de ter segurado o balainho para alguma votação na presença do Doge, do Doge mesmo”.
Em setembro de 1793 deixava definitivamente a escola do Venier; cerca de dois meses depois, seu pai, o Conde João morria. Sobre os dois irmãos então caíram as responsabilidades da familia. Na verdade, o primeiro responsável deveria ser o mais velho, isto é, Antonangelo; mas, como ele nutria pensamentos muito diferentes, no momento Marcos não teve escolha a não esperar o momento em que a Providência lhe permitisse seguir o mesmo caminho. Foi assim que decidiu concorrer a um lugar na Chancelaria Ducal: tanto mais que um salário seria util para as finanças da família.
Em todos os ofícios que ocupou e nas muitas tarefas que desempenhou, trouxe a marca de sua forte personalidade, caracterizada por forte inteligência, retidão intransigente, grande prudência, diligência e sagacidade jovial. Não só não se envergonhava de professar a sua fé, o que nem sempre era fácil, sobretudo em tempos de turbulência política, como também declarava abertamente as suas convicções e conformava a sua vida com elas. Por isso sempre gozou da estima de seus colegas, e também de seus superiores, dos quais se viu dependente nos vários governos que sucederam em Veneza em poucos anos. Foi um complexo muito rico de atividades desenvolvidas pelo jovem Marcos neste período, tanto no campo civil como no religioso.
1787, 9 de jan: Exame para poder engressar no devido tempo na Chancelaria Ducal
1790 – 1791: Entra na escola do abade Venier
1792: É eleito decano novo na Escola grande de Santa Maria da Caridade
1793, Termina a escola do Venier
1793, 23 de nov: Morre o pai, Conde João
1794: Se inscreve na Fraternidade dos Pobres de Santa Inês, assumindo diversos cargos
1794, 25 de ago: Com seu irmão começa a discussão sobre a “História dos Venetos”
1794 – 1975: Curso de letras sobre física, isto é, sobre temas filosóficos
1794, 13 de set: Se inscreve na Fraternidade de São Pedro de Alcântara
1795, mar: É eleito presidente da Fraternidade dos Pobres; depois outras vezes
1795, 17 de mar: É eleito notário extraordinário em espera na Chancelaria Ducal
1795, 1 de jun: Se inscreve na Companhia do Sagrado Coração de Jesus e de São Luís
1795, 12 de ago: Se inscreve na Companhia do Bem-aventurado Pedro Acotanto
1796: Junta-se ao irmão, que funda a Academia de São Tomás
1796, 1º de jan: Se inscreve na Academia dos Segretos
1796, 8 de jul: É admitido na Arcádia de Roma
1796, 20 de dez: É eleito deputado da “advogaria de comun”
1797: É eleito secretario da Escola do Venerável, ou do SS.mo Sacramento
1797, mar: Entra como decano novo na Escola de Santa Maria da Consolação
1797, 17 de mar: É eleito assistente da Comissão de saúde pública, seção diplomática
1797, 12 de jun: É eleito vice-secretário da Comissão Francesa de Pesquisas
1797, 1 de ago: Decreto que lhe concede um salário especial de 201 ducados para o trabalho extraordinário desenvolvido
1797, dez: Se inscreve na Pia Fraternidade das Almas do Purgatório em Santa Inês
1797, dez: É eleito Assistente da Doutrina cristã, em Santa Inês
1798, 8 de jan: É eleito deputado para a redação das folhas para a administração das tropas francesas
1798, 7 de mar; Lê o panegírico de Sâo Tomas na Academia homônima
1798: Decreto que lhe concede 10 ducados pelo trabalho extraordinário nas Comissóes de Democracia e Francesa de Pesquisas
1798: Decreto que aprova o serviço prestado á Comissão Francesa de Pesquisas
1798, 6 de out: É eleito 1º assistente do Departamento 5 do I. R. Magistrado
1798, 7 de nov: É confirmado neste cargo pelo Presidente Lottinger
1799, deze: É eleito pela secunda vez Assistente da Doutrina cristã para o ano 1800
1800: Continua a ser 1º assistente do Departamento 5 do I.R. Magistrado
1800, 10 de mar: É eleito Procurador de Paroquia de Santa InêsS. Agnese
Se muda para o Departamento do Culto
1800, 7 e 15 de jun: Na capela da família é ordenado Diacono e Sacerdote, Pe.Giorgio Facchinetti
1801, 13 de dez: Continua a ser Mestre da Doutrina cristã
1802: Pede ao Papa a graça de poder colocar uma Via Sacra na capela da família
1802, 2 de mai: Funda com seu irmão a Congregação Mariana tornando-se o primeiro Prefeito
1804, 2 de jan: Começa com seu irmão a primeira escola da Congregação Mariana
1805: Continua, mesmo após a paz de Presburgo, que anexa Venecia ao Reino italiano, em seu escritório ao Departamento do Culto
1806: É promovido a Podestà (Prefeito) numa cidade da Região do Friuli
1806, 13 de fev: Veste o habito eclesiastico e se apresenta aos colegas para dar adeus ao seu trabalho: é a Quinta-feira de Carnaval.
MARCOS NA CHANCELARIA DUCAL
Faltavam apenas quatro dias para a ordenação sacerdotal de Antonangelo, quando Marcos, aos 21 anos, foi eleito notário extraordinário em expectativa da Chancelaria Ducal. Pouco depois, ele usava a toga larga e a peruca dos secretários.
Em 1º de janeiro de 1796 Marcos se matriculou na Academia dos secretários, uma escola onde os secretários exerciam a prática de lidar com os diversos assuntos inerentes ao seu ofício. O testemunho do trabalho ali realizado fica em um caderno, no qual o Servo de Deus recolheu várias escrituras e decretos. Dos temas tratados, o mais interessante é o primeiro: “Pesquisar quais são os meios adequados para responder á depravação quase universal” que nos dá uma imagem realista do estado moral em que Veneza foi reduzida às vésperas da queda da república.
Entretanto, aproximava-se a queda da república, e Marcos encontrava-se assim no meio dos acontecimentos que estavam prestes a decidir o seu destino. Não sabemos exatamente em quais sessões do Senado e do Conselho maior ele teve que servir como notario extraordinario; no entanto, é certo que, pelo menos para algumas, ele deve ter estado presente, como deduzimos de um pergaminho descoberto pelo Pe. Zanon. Este é a “Folha oficial que distribuia os ofícios aos secretários” nos primeiros três meses de 1797, ou seja, março, abril e maio, e traz a assinatura do grande Chanceler. Em maio, Marcos estaria presente no Senado, mas, naquele mês, o Senado nunca se reuniu. No Conselho maior, por outro lado, ele tinha que estar presente “nas eleições”, ou seja, para quaisquer eleições, e tinha o cargo de “anotar as eleições”, ou seja, os eleitores.
A QUEDA DA REPÚBLICA DE VENEZA
12 de maio de 1797: Aconteceu a última reunião do Conselho maior. Escreve o Pe. Zanon, resumindo os acontecimentos daquele dia. “Embora os participantes réus não tinham atingido o quórum, o pobre Doge […] pálido e trêmulo falou da inutilidade da resistência aos franceses, dos desejos de Bonaparte e das promessas que tinha feito, desde que fosse realizada a reforma do Governo. Finalmente propôs a eleição de um Governo representativo. Neste momento, na bacia de São Marcos os Schiavoni, no ato de deixar Veneza, soltaram uma salva de tiros em sinal de saudação. Mas no Conselho maior os tiros são interpretados como o sinal da revolta dos supostos 16.000 conspiradores. Nasce uma confusão e no terror do momento é decidida a votação, e a abdicação do governo é aprovada às pressas com 512 votos dos 537 presentes”.
O novo Governo assumiu o nome de Município provisório. No dia 16, entraram na cidade 4.000 soldados franceses, que Bonaparte “concedeu” para manter a ordem. Foi a primeira vez que tropas estrangeiras pisaram o solo de Veneza. No dia seguinte desfilaram na Praça de São Marcos. No mesmo dia, o novo Governo democrata iniciava sua atividade: o cidadão Marcantonio Cavanis foi eleito assistente da comissão de saúde pública na seção diplomática.
A ilusão de uma liberdade conquistada logo cessou para Veneza. Em 17 de outubro, com o Tratado de Campoformio, Veneza foi cedida por Napoleão à Áustria. Seguiram-se meses de anarquia, até que em 18 de janeiro de 1798 as tropas austríacas ocuparam a cidade, saudadas como libertadoras.
SOB OS DIFERENTES GOVERNOS
a) O Município provisório. – Dos documentos deixados por este primeiro organismo revolucionário, tem-se a impressão de que os democratas venecianos estão tentando provar ao povo que não são contra a religião católica. O Decreto aprovado pelo Conselho maior em 12 de maio de 1797 já partia do conceito de respeito à religião. Cmeçava assim: “O objetivo supremo de preservar ilesos a religião, a vida e a propriedade de todos esses queridos habitantes, determinou este grande Conselho…”.
Em 16 de maio, o Município provisório, recém constituído, lançou o primeiro manifesto reafirmando o mesmo princípio: “O Governo veneciano, desejando dar um último grau de perfeição ao sistema republicano e fazer com que os cidadãos desta capital cada vez mais tenham liberdade, que garante a religião, os indivíduos e a propriedade…”. Por sua vez, no dia 17 de maio, o Patriarca Federico Giovanelli emitiu um documento pastoral, dirigido ao clero que cuidava das almas, convidando-o a anunciar ao povo a mudança de governo. Dizia textualmente: “Tendo assegurado pelo Município de Veneza, que preside provisoriamente a tranquilidade pública, que as mudanças atuais não alteram, nem jamais alterarão o sagrado depósito da fé e as veneráveis práticas e exercícios sagrados de nossa santíssima religião católica, a nossa solicitude pastoral oferece imediatamente o anúncio mais auspicioso”. Finalmente, no dia 25 do mesmo mês, no salão, que tinha sido do Conselho maior, o Município provisório preparou uma grandiosa cerimónia para o juramento ao novo regime e também convidou o Patriarca. Entrou no imenso salão em procissão com os cónegos, os párocos e o clero, precedido pela cruz. Ele foi recebido ao som de música e sentou-se ao lado do presidente do novo governo. Então pelo Município foi lido um manifesto no qual, entre outras coisas, era assegurado todo o respeito pelas instituições religiosas. Por sua vez, Mons. Bartolomeo Zender, em nome do Patriarca, leu uma declaração de fidelidade ao novo Governo democrático: «Aqui estáo, ó cidadãos, unidos, quem representa provisoriamente o povo soberano, e os representantes da igreja veneciana”. O presidente do Município concluiu assegurando ao “cidadão” Patriarca “os sentimentos leais e religiosos de lealdade e união do Município à religião católica”.
Nesse clima de relações entre a nova democracia veneziana e a autoridade eclesiástica, o cidadão Marco Cavanis passou de seu cargo na comuna advogaria para o de assistente na seção diplomática do comitê de saúde pública. Seu trabalho e experiência, e também sua capacidade de cumprir as tarefas ordinarias, lhe renderam estima. Nem um mês se passou, quando foi nomeado simultaneamente vice-secretário da Comissão de pesquisas francesa. O trabalho às vezes tornava-se pesado e muitas vezes durava até a noite; foi assim reconhecido com uma remuneração particular, na verdade bastante tardia e solicitada.
Neste tempo aconteceu o fato que nos é narrado pelo Pe. José Da Col, no qual se destaca sua integridade e retidão, mesmo diante de um valentão armado, que queria extorquir um ato considerado por ele contra a justiça.
b) O Governo austríaco. – A maioria do povo e da nobreza veneziana não perdoou o Município provisório por ter se instalado à sombra das baionetas francesas. Portanto, apesar dos esforços dos democratas, ainda persistia um forte sentimento de devoção e nostalgia pela Sereníssima. Para alimentá-lo contribuia de uma parte a conduta daqueles que acreditavam permitir, no novo clima de liberdade, toda forma de desordem; de outra, os abusos, violências e roubos realizados pelas tropas francesas que ocupavam a cidade. Bibliotecas, museus e igrejas foram sistematicamente roubados de códigos preciosos e obras de arte de todos os tipos. Até os famosos cavalos de bronze da basílica de São Marcos tomaram o caminho de Paris. Enquanto isso, Napoleão mantinha escondidas suas verdadeiras intenções sobre o destino da cidade e seus territórios, mas praticamente a tratou como um país de conquista. Em vão o Município tentava sua própria política independente. Seus membros começaram a abrir os olhos quando já era tarde demais, quando perceberam que Veneza se tornara apenas um peão em um jogo muito maior, à mercê das ambições de Napoleão e dos cálculos da Áustria. Se ainda adicionamos a tudo isso as condições financeiras desastrosas e a hostilidade de uma grande parte da população veneciana contra todos os franceses em geral, considerados perseguidores da Igreja, é compreensível que na maioria tenham surgido sentimentos de desgosto e reação. Ao mesmo tempo, porém, muitos também tinham a convicção de que, no novo contexto histórico, a velha sociedade veneciana, enfraquecida e danificada, não teria mais a força ou os ideais para restituir a vida à gloriosa República. Encontramos ecos de todos esses sentimentos nos poemas de Marcos.
Portanto, quando se soube da traição de Napoleão, que, frustrando os sonhos dos democratas venecianos, havia trocado a cidade e parte de seus territórios em Campoformio, entregando-os à Áustria, todos baixaram a cabeça. A entrada das tropas imperiais (18 de janeiro de 1798) foi geralmente aceita como uma libertação do jugo francês. Nas igrejas se cantava o Te Deum em ação de graças a Deus, porque no governo de “sua majestade apostólica” se via o defensor e restaurador da fé, bem como da ordem pública. Marcos também interpreta esses sentimentos em seus poemas.
Sob os novos patrões, os jovens funcionários mantiveram seus empregos, enquanto a organização dos escritórios ganhava um novo arranjo. No princípio as confirmações e os salários relativos tardaram em vir de Viena; mas finalmente estes também chegaram, com um aumento, porém, do trabalho, que às vezes se tornava mais do que pesado. Marcos foi contratado pela primeira vez como assistente do 5º departamento do Magistrado real imperial da câmara, depois tornou-se vice-secretário do Departamento de culto. Permaneceu aqui mesmo quando Veneza, após a Paz de Presburg em dezembro de 1805, foi tomada da Áustria e anexada ao reino itálico com o nome de departamento do Adriático.
CONDUTA DE MARCOS NOS VÁRIOS ESCRITÓRIOS
Na sucessão dos vários Governos, aristocrático, democrático, austríaco e itálico, o Servo de Deus distinguiu-se não só pela sua corajosa retidão e laboriosidade, mas também pela sua prudência. E isso é ainda mais para admirar, considerando sua pouca idade. No fervilhar das paixões políticas, soube sempre calar-se, mantendo-se afastado de todas as lutas. Mesmo os mais íntimos nunca conseguiam algumas palavras. Também por isso, portanto, era estimado. Da estima de que gozava são prova as promoções subsequentes, bem como o facto de no regresso do Governo austríaco, em 1814, o vice-secretário Cavanis ter sido novamente requisitado para outros cargos. Mas então ele já era padre há vários anos.
Algumas breves observações parecem merecer suas relações com os colegas de escritório e o compromisso que demonstrava em ajudar padres e freiras tanto quanto podia.
a) Seus relacionamentos com os colegas de escritório. Os numerosos poemas sobre a vida de escritório nos revelam, antes de mais nada, quanto deve ter custado à natureza viva do jovem ser pregado a uma cadeira por tantas horas do dia, que muitas vezes se estendiam além da conta. Seu espírito brincalhão faz com que ele encontre motivos para alguma composição de brincadeira também nestes trabalhos extra.
Dos mesmos poemas percebemos como o ambiente em que teve de trabalhar nem sempre era fácil. Seus colegas não eram todos de seu padrão moral e, portanto, sua conduta dentro e fora do escritório não poderia deixar de ser notada. Mas sua habilidade, seu bom humor e sua sagacidade atraíam a estima de todos. É verdade que às vezes o provocavam em tom de brincadeira: mas também isso, afinal, era uma forma de expressar estima. As sátiras deste ou daquele de seus colegas eram, de fato, o reconhecimento mais evidente de sua conduta moral irrepreensível e de sua veneração para os religiosos. Por outro lado, seus colegas também sabiam, por experiência, que o Cavanis não estava ali apenas para apanhar: para cada golpe tinha uma resposta medida, bem-humorada, espirituosa, mas igualmente explícita e firme. Às vezes era ele quem tomava a iniciativa, como quando em poucas palavras pintava o retrato moral de cada um; ou quando, sorrindo, lembrava aos amigos seu dever de trabalho. Às vezes não deve ter sido fácil conter a língua ou a caneta de alguém mais ousado, mas então a repreensão soava tão educada quanto contundente. Não eram discussões que perturbavam a harmonia mútua, mas lembretes amigáveis e sorridentes, pelos quais mesmo aqueles que não pensavam e não praticavam como Marcos eram induzidos a respeitá-lo e amá-lo. Devemos, portanto, concluir que a partir desses anos o Servo de Deus começou a demonstrar o dom de saber dizer a todos o que queria, sem que ninguém fosse ferido por isso.
b) “Procurador de padres e irmãs de todas as especies e de todas as cores”. O cargo deu á Marcos a oportunidade de se comprometer desde muito cedo a favor de um grande número de institutos masculinos e femininos e também de paróquias pobres. Seu zelo aumentou quando se tornou vice-secretário do Departamento de culto. Nunca fez qualquer menção de seus méritos a esse respeito; e os poucos testemunhos que temos foram recolhidos da voz viva de membros da família ou do próprio irmão.
MARCOS CATEQUISTA
Enquanto isso Marcos dedicava-se com zelo ao ensino do catecismo às crianças de sua paróquia de Santa Ines. A escola de Doutrina cristã estava florescendo ali, e vários leigos estavam envolvidos. Provavilmente começou a exercer seu ministério antes de 1797, porque em dezembro daquele ano ingressava entre os responsaveis, com o título de assistente. Aquele compromisso dominical deve ter sido muito agradável para ele, já que permitia-lhe aproximar-se das crianças e dar-lhes um pouco da riqueza do seu espírito; tanto mais que sua palavra viva e seu humor atraíam facilmente sua afeição e atenção.
Essas primeiras experiências devem ter permitido a ele e a seu irmão sacerdote perceber praticamente que não há meio mais eficaz para reformar a sociedade de amanhã do que dar uma profunda formação religiosa às crianças de hoje. É, portanto, provável que alguns dos mais capazes e melhores destes, logo tenham se tornado objeto do cuidado particular de ambos, e assim se formou o primeiro grupo de alunos que passou a frequentar a casa dos Cavanis para receber aulas do jovem padre Antonangelo.
“Brinde por ocasião do almoço feito pelos catequistas da Doutrina Cristã em Santa Inês em 13 Xbre 1801”
…Oh Escola de sorte,
Escola de Santa Inês,
Entre todas as outras igrejas
Só você tem a palma na mão.
Sim repito,
Firme o digo:
Oh Escola de sorte,
Escola de Santa Inês!
Eu vejo você para as frestas
Dos séculos futuros
Você vai florescer…
O HORTO
Mas os Cavanis, bem cientes da psicologia dos jovens, sempre em necessidade de entretenimento, não se limitavam aos meios comuns, e logo tentavam oferecer-lhes também um ambiente de diversão, especialmente nas férias, quando se encontravam mais abandonados a si mesmos.
A Providência chegou inesperadamente, e logo tinham um grande horto-patio para uso próprio perto da igreja de Santa Inês. Tinha vinhas, e era atravessado por largos caminhos próprios para jogos. O lugar tinha pertencido, com algumas casas, aos cónegos de Santa Maria da Caridade; mas depois de sua supressão tornou-se propriedade do Estado. “Este horto – escreve o Padre Marcos nas Memórias do Instituto – era alugado por quem o sublocou a uma pessoa que abria a entrada para pessoas descontentes e ociosas, que ali ficavam em folias e jogos violentos com grave escândalo no bairro. Morto o sublocator, apresentou-se espontaneamente quem era responsavel á uma pessoa toda inclinada à nossa congregação, oferecendo-lhe a sublocação do horto e do edifício contíguo, desde que quisesse ajuda-lo no sucesso de algumas questões civis; em que se deve notar que a pessoa indicada que entrou no uso do referido horto não tinha a menor relação com o arrendatário, que nem sequer lhe era conhecido: portanto, deve-se atribuir essa combinação favorável às disposições benéficas da Divina Providência”. O horto pôde ser aberto aos congregados em 3 de outubro de 1802, festa do Rosário. Desde então, todos os feriados e quintas-feiras os jovens se reuniam ali para algumas horas de lazer, para ouvir os diálogos e para alguma prática de piedade.
A experiência confirmou os Cavanis na necessidade de não perder aquele ambiente; e, portanto, assim que souberam que queriam vendê-lo em leilão, não descansaram: fizeram pedidos, recomendações, certidões, pediram audiências. O pároco e o vigário capitular, Mons. Bortolatti, manifestaram ao Governo sua estima pela iniciativa Cavanis; até o Conselheiro real para as Fundações piedosas, conde Fenaroli, expressou sua opinião favorável. Mas quando o assunto estava prestes a terminar, no final de 1805 a Áustria teve que entregar Veneza a Napoleão. Em março de 1806, os Cavanis retomaram outras práticas, mas agora com pouca esperança. É interessante acompanhar pelos documentos quantas brigas e preocupações eles tiveram, principalmente Marcos, para manter a posse daquele horto.
Enquanto não deixavam nenhum caminho para alcançar seu objetivo, se colocavam sem reservas nas mãos da Divina Providência. Esta será a conduta que caracterizará toda a sua longa vida. No presente caso, a Providência permitiu que o horto se perdesse, justamente para que seu trabalho pudesse se consolidar melhor. Em 1814 Ela os ajudará a chegar na posse definitiva; mas mesmo assim terão de lutar entre incertezase dificuldades.
MARCOS E A FORMAÇÃO ESPIRITUAL DOS CONGREGADOS
Na introdução às Memórias do Instituto Marcos apenas recorda a admiração demonstrada pelo irmão pela obra educativa dos padres Filipinos da Fava. Mas podemos provar que a dele não era inferior. Acreditamos que podemos encontrar uma primeira prova na organização do horto. De fato, em 7 de novembro de 1802, escreve: “Hoje as regras estabelecidas para o bom sistema do horto foram lidas aos congregados”. Quem as leu foi certamente ele, como Prefeito, que tinha a responsabilidade da disciplina. Aquelas regras precisou adaptá-las de outras semelhantes usadas no oratorio dos Filipinos. Mas a prova mais segura é dada pelos diálogos compostos por Marcos à imitação daqueles que eram recitados na Fava.
a) Marcos, como Prefeito, tinha a responsabilidade de atender a parte organizacional. Como ele cumprisse esse dever nos é dado saber, pelo menos em parte, pela manutenção dos registros. Quando o horto se abria, sempre tinha que estar no meio dos congregados para supervisionar, aconselhar, fazer tudo correr com ordem e satisfação. Era ele quem cuidava das despesas, que procurava benfeitores. Pode-se dizer que quase tudo passava por suas mãos. Especialmente nas práticas burocráticas utilizava sua habilidade como secretario, sempre ao lado do irmão. Essas foram suas primeiras experiências para a obra; mas deu toda a sua vida: com paciência, constância incansável, prudência.
b) Os diálogos. – Em 3 de junho de 1803, antes dos ofícios religiosos da tarde em Santa Inês, “começou a recitação de um diálogo espiritual no horto”: o assunto era a santificação das festas. Não se sabe de quem foi composto, mas não é improvável que Marcos o tenha solicitado aos Filipinos da Fava pelo fato de que ele não o copiou como os outros. A dependência de diálogos daqueles dos Filipinos é certa: uma simples comparação é suficiente para revelar analogia de abordagem e conduta. É suficiente, por exemplo, comparar o Diálogo dos exercícios do oratório com o correspondente escrito por Marcos sobre a Congregação Mariana. Esta iniciativa Cavanis é definida pelo Padre Zanon como original no sentido que os Diálogos de Marcos são obra pessoal, original por sua vivacidade de estilo e profundidade de doutrina, mas não por sua novidade.
Os diálogos que chegaram até nós são apenas sete: 1. A Congregação Mariana; 2. Sobre a necessidade de se pensar na escolha da vida; 3. Sobre as disposições para bem escolher; 4. Sobre os sinais para conhecer a vocação; 5. A paixão de nosso Senhor Jesus Cristo; 6. A obediência aos pais; 7. As mentiras. A estes deve-se acrescentar uma passagem de um outro: A necessidade e as razões dos atos das virtudes teologais.
Em todos eles há um pano de fundo comum: os interlocutores são quatro, dos quais três são congregados, um é um estranho; ele apresenta uma série de objeções, que os três tentam refutar uma a uma; no final, o contraditor se declara convencido das suas razões. Cada diálogo durava cerca de três quartos de hora, às vezes até mais. O que surpreende é a firmeza da doutrina moral e ascética do autor ainda leigo. Também demonstra ser “não apenas altamente educado na ciência sagrada, mas rico em experiência prática e sobretudo de vivo zelo pela salvação das almas”.
MARCOS DEIXA O EMPREGO E TORNA-SE PADRE
O 1806 é um ano memorável pelas graças que o Senhor derramou sobre a obra dos Cavanis. Caracteriza-se por dois fatos principais: Marcos que se torna sacerdote superando os últimos obstáculos que ainda estavam no caminho do cumprimento de sua vocação; a compra do edifício Da Mosto, que resultará numa rápida expansão das Escolas de caridade.
A vida de Marcos como leigo, especialmente depois da fundação da Congregação Mariana, tornava-se cada vez mais sacerdotal: costumes exemplares, espírito de piedade e sacrifício, zelo pelas almas jovens, amor á Igreja. Havia abraçado a carreira de secretário como uma solução de espera, especialmente dadas as circunstâncias. Mas isso tinha durado muito mais tempo do que ele poderia ter previsto. Assim se passaram dez anos, cheios de acontecimentos políticos e transformações sociais radicais, atrás dos quais crescia a miséria, o vício e o abandono da juventude.
Durante esses anos, Marcos sempre cultivava o desejo de romper com o escritório; e sobretudo nos momentos políticos mais conturbados e angustiantes, se confidenciava com seu irmão António, que o exortava a esperar pacientemente o momento do Senhor. Durante o ano de 1805, no entanto, ele teve que sentir mais fortemente do que o habitual o desejo de lidar exclusivamente com Deus nas obras de zelo e na educação da juventude, a que até então só podia dedicar uma pequena parte do seu tempo, ocupado como estava nos deveres do ofício. Por outro lado, a escola da Congregação começava agora a precisar de mais cuidados, para não morrer sufocada pela estreiteza e pobreza dos ambientes. O fato de que todo o trabalho foi melhorando imediatamente pelo impulso que deu assim que se libertou dos problemas do emprego, mostra que a sua pessoa era realmente necessária.
No final de 1805, portanto, Marcos decidiu acabar a todo custo com os obstáculos persistentes, com a ajuda de Deus. Realmente lhe custou muito; mas com prudência, firmeza e constância conseguiu. Eis o que escreve nas Memórias do Instituto, em 16 de fevereiro de 1806: “O Prefeito Marcantonio Cavanis apresentou-se à Congregação, com o hábito clerical que havia vestido no dia 13 do corrente. Depois de ter exercido durante muitos anos um cargo público, sempre com a intenção de se dedicar ao serviço do santuário, pôde finalmente cumprir a sua vocação, superando dificuldades que lhe pareciam insuperáveis, de modo que deve atribuir-se a uma especial proteção de Maria Santíssima. Também neste caso houve uma especial benção, pois, depois de ter abandonado o emprego público, sacrificando seu notável emolumento com bom ânimo, ficou conhecido que ele estava destinado a assumir uma cidade em Friuli como Prefeito, o que teria sido muito doloroso para ele e de grande perplexidade para a sua família”.
Como se vê, trata-se de uma narração esquelética e discreta, limitada apenas a algumas informações essenciais, na qual, no entanto, não se pode deixar de notar um grande espírito de humildade e fé; pelo que, escondendo os seus próprios méritos, o Servo de Deus atribui tudo à especial proteção de Maria. Ele nunca quis contar mais a ninguém, também nunca especificou quais eram as dificuldades e oposições e de quem elas vieram. Ele já tinha o hábito de escrever dos congregados que vestiam o hábito eclesiástico ou entravam em um instituto religioso. A esse respeito, deve-se notar que, para muitos deles, ele abundava em notícias e detalhes edificantes. De si mesmo, no entanto, não escreveu nada semelhante, escondendo em silêncio o que poderia retornar ao seu próprio louvor.
Padre Bonlini, em suas notas sobre a vida do Servo de Deus nos revela que as dificuldades que o haviam impedido de realizar até então o desejo de se tornar padre eram, pelo menos em parte, de origem familiar. Em seguida, ele expressa sua admiração por a humildade e a coragem demonstradas por ele por ocasião do decisão. De fato, diz que o Servo de Deus, tendo sido forçado por “sua humildade [e por] alguns cuidados cristãos muito prudentes em relação à família” a adiar o dia de sua vestição eclesiástica, deliberadamente preferiu esperar até 13 de fevereiro de 1806, quinta-feira de Carnaval. Precisamente naquele dia de folia carnavalesca, ele vestiu o traje de padre, para depois ir ao escritório se demitir definitivamente do emprego e dos colegas. Este gesto de seu corajoso desprezo pelo mundo conquistou a admiração dos que souberam: foi, no entanto, um ato coerente com o seu modo de pensar e com toda a sua vida passada. Que foi uma escolha intencional também é confirmado pelo fato de que entretanto Marcos providenciava a documentação necessária para receber a tonsura.
MARCOS : DE SECRETARIO A PADRE EM DEZ MESES
(13 de fevereiro – 20 de dezembro de 1806)
Em Veneza não era raro ser promovido ao sacerdócio em um tempo menor do que o prescrito pelo Codigo. De qualquer forma, era uma prática excepcional, seguida apenas por alguns candidatos que mereciam consideração especial.
Marcos fez disso o tema de suas humildes reflexões.
O ano de 1806 foi certamente para ele um ano de extraordinária atividade espiritual, de meditação e estudo para se preparar para as várias ordens, mas sobretudo para a nova vida. Nessa preparação foi orientado por seu irmão Antonio, sacerdote há dez anos.
1805: MA decide se tornar padre a qualquer custo; convence seu amigo Bonlini a fazer o mesmo. No entanto, ele é forçado a adiar a vestição clerical
1806:
11 de fevereiro, terça-feira: na Cúria patriarcal: atas para a “legitimidade de Marcos”
12 de fevereiro, quarta-feira: o Vigário capitular Bortolatti concede as dimissórias ao MA para a tonsura
13 de fevereiro, quinta-feira gorda: MA usa o habito eclesistico e aparece no escritório para pedir demissão
14 de fevereiro, sexta-feira:exame para as Ordens menores e talvez também para o subdiaconado
15 de fevereiro, sábado: MA recebe a tonsura do Bispo José Maria Peruzzi
16 de fevereiro, domingo: MA se apresenta na Congregação Mariana vestido de clérigo
18 de fevereiro, terça-feira: o Notário Caliari lavra o instrumento do patrimônio eclesiastico de MA
19 de fevereiro, quarta-feira, Cinzas: o Vigário capitular concede as dimissórias das Ordens menores á MA
20 de fevereiro, quinta-feira: MA inicia um curso de 13 dias de exercícios espirituais
21 de fevereiro, sexta-feira: MA apresenta na Cúria o instrumento de seu patrimônio eclesiástico
23 de fevereiro, domingo: MA recebe as Ordens menores do Bispo Peruzzi
24 de fevereiro, segunda-feira: o Vigário capitular aprova o instrumento de bens de MA
27 de fevereiro, quinta-feira: MA em vez de fazer a habitual meditação e conferência, vai à Congregação eclesiástica, onde é agregado
Fevereiro: dimissórias para o subdiaconado
1º de março, sábado: MA é ordenado subdiácono por Mons. Peruzzi
4 de março, terça-feira: MA encerra os exercícios espirituais
5 de agosto, terça-feira: chamada para os exames para as Ordens
9-19 de setembro: Exercícios espirituais para o diaconato
18 de setembro, quinta-feira: dimissórias para o diaconato
20 de setembro, sábado: MA recebe o diaconato por Mons. Peruzzi
9 a 19 de dezembro: Exercisios espirituais para o sacerdócio
13 de dezembro, sábado: dimissórias para o sacerdócio
20 de dezembro, sábado: MA é ordenado sacerdote por Mons. Peruzzi
E aqui estão suas reflexões sobre a dispensa que lhe foi concedida pelos interstícios: “A dispensa não pode ser concedida pelo Ordinário senão por motivos de necessidade ou utilidade da Igreja. Se nos foi concedida [ele e Bonlini], é, portanto, um sinal de que a Igreja espera de nós uma ajuda particular em suas necessidades. Longe de qualquer pretensão vã de privilégios, devemos, de fato, receber a sagrada ordenação com maior humildade, não tendo tido o tempo que aos outros é concedido para a devida preparação, e procurar corresponder às intenções da Santa Igreja, empenhando-se com tanto mais cuidado em servi-la, quanto mais demonstrou a necessidade de um trabalho solícito na vinha do Senhor, com a dispensa acordada”.
PRIMEIRAS ATIVIDADES SACERDOTAIS DO PADRE MARCOS
Tendo em conta os méritos que o Servo de Deus tinha adquirido como leigo, não é de admirar que, logo que foi ordenado sacerdote, tenha sido objeto de uma atenção particular nos numerosos conventos de freiras, que quiseram mostrar a sua gratidão.
Também sacerdote, Marcos continuou a ser Prefeito da Congregação Mariana, certamente devido aos tempos conturbados que agora se preparavam para as associações católicas.
Fiel ao seu passado e às resoluções tomadas por ocasião do subdiaconado, continuou ensinando a Doutrina cristã as crianças da paróquia; neste ministério o encontramos ainda engajado muitos anos depois, em 1821, junto com Padre Leonardo Romanini, com alguns clérigos e outros jovens.
Também continuou aprofundando seus estudos sagrados, como se pode deduzir de vários seus escritos, e preparar-se para a pregação. O primeiro sermão foi proferido na igreja paroquial de Santa Inês em setembro de 1807 e foi sobre o Nome de Maria. Na peroração final dirigiu-se aos clérigos da paróquia, cuja vocação tinha florescida na Congregação Mariana, então infelizmente suprimida fazia alguns meses.
Da pregação destes primeiros anos de sacerdócio temos apenas dois panegíricos: de São Venerio eremita, 13 de setembro de 1808 e da Imaculada Conceição, 1809.
No entanto, a atividade que absorvia cada vez mais as energias do Servo de Deus era a da Congregação Mariana e das Escolas de Caridade.
Padre Mário Valcamonica, CSCh
Uberlândia – MG