Acender novamente a luz do carisma
Hoje, 12 de março de 2026, no Dies Natalis do Venerável Padre Antônio Ângelo Cavanis, nós, religiosos e leigos Cavanis, somos chamados a renovar o compromisso de não deixar que o fogo do carisma se apague e de não nos contentarmos em conservar apenas as suas brasas.
O retrato do presente é real. Em muitas comunidades e obras educativas, sentimo-nos poucos, muitas vezes cansados, por vezes frágeis. Às vezes, parece-nos que a beleza do carisma Cavanis é um dom grande, talvez grande demais para as nossas forças. E, no entanto, é justamente aqui que está a verdade que nos sustenta: o carisma não é um peso para carregar sozinho, mas uma luz para partilhar.
Um olhar que devolve coragem
Se Padre Antônio estivesse hoje entre nós, provavelmente não começaria contando números nem fazendo balanços. Olharia nos nossos olhos com aquela firmeza paterna que conhecemos e diria, com palavras muito concretas: “Em 1802, Veneza era mais escura do que hoje. E, no entanto, não esperamos condições ideais para acender a primeira vela.”
Este é o ponto. O maior problema não é ter menos recursos. É correr o risco de perder ímpeto, visão e coragem. Quando nos limitamos a administrar o que já existe, acabamos vivendo um dia de cada vez. Mas o carisma Cavanis não nasceu para continuar por inércia: nasceu para educar, para cuidar, para formar jovens capazes de futuro. Em uma palavra: para sermos, hoje como ontem, mais pais do que mestres.
Três escolhas concretas para o hoje
A data de hoje nos propõe três escolhas possíveis, atuais, concretas e verificáveis.
1. Voltar à rua, também à rua digital
Padre Antônio não esperava os jovens atrás de uma mesa: ele os procurava onde a vida mais doía. Hoje, essa “rua” também é feita de solidão, ansiedade, fragilidade emocional e de periferias digitais, onde tantos jovens procuram atenção, escuta e sentido.
2. Educar mente e coração, sem separá-los
Em um mundo de algoritmos e velocidade, não basta instruir. É preciso ajudar os jovens a pensar bem e a sentir bem: desenvolver espírito crítico, responsabilidade, interioridade e capacidade de escolher.
3. Viver a paternidade como estilo cotidiano
“Mais pais do que mestres” não é um slogan. É um modo de estar ao lado: conhecer pelo nome, acompanhar com paciência, corrigir sem humilhar, criar confiança, abrir caminhos. O jovem de hoje não procura um “chefe perfeito”. Procura adultos confiáveis: pessoas que permanecem, que escutam, que não recuam.
Corresponsabilidade: o carisma é transmitido juntos
Hoje é decisivo fortalecer o pacto de corresponsabilidade entre religiosos e leigos. Não basta colaborar: é necessária uma corresponsabilidade verdadeira, fundada na confiança recíproca e em papéis claros. Os leigos não são ajudas ocasionais. São, conosco, portadores do carisma no mundo: nas escolas, nas famílias, na sociedade, nas missões.
Vocações: uma vida que fala
Também no que diz respeito às vocações, vale um realismo cheio de esperança: a melhor proposta vocacional não nasce de campanhas, mas de uma vida que fala por si mesma. Quando os religiosos vivem com alegria simples, radicalidade serena e paternidade concreta, os jovens — mais cedo ou mais tarde — perguntam: “Por que vocês vivem assim?”
É aí que nasce a atração: da beleza de uma missão partilhada.
Não apenas recordar, mas recolher um testemunho
No Dies Natalis de Padre Antônio, não celebramos apenas uma lembrança. Recebemos um testemunho. A crise não é, antes de tudo, numérica: é uma crise de visão e de paternidade educativa. Por isso, hoje, escolhemos um objetivo que nos desperte e nos coloque novamente a caminho: não resistir, mas renovar; não apenas manter de pé, mas dar de novo a vida.
Acender uma vela
A Providência não nos pede imprudências, mas nos liberta daquela prudência que paralisa. Pede-nos aquele risco responsável, vivido por amor aos pequenos e aos pobres, que Padre Antônio encarnou primeiro. E repete-nos ainda que a luz não nasce quando tudo é fácil. Ela nasce quando alguém, com coragem, acende uma vela.
Postulação Geral Cavanis