MOSTEIRO INVISÍVEL - 02.11.2021
Um instrumento para comunhão fraterna que une os leigos Cavanis todo dia 02 para oração em comum, em todas as partes territoriais.
Publicado em 01/11/2021

Fraternidade Leigos Cavanis
Casa Sagrado Coração, INSTITUTO CAVANIS
Via Col Draga – POSSAGNO (TV)

MOSTEIRO INVISÍVEL - 02.11.2021

Como é inevitável, preparo esta contribuição bem antes da data de nosso encontro; e hoje, enquanto me preparo para refletir, me detenho naquela bela página do Evangelista de Marcos que a liturgia nos oferece no XXIX Domingo do Tempo ordinário.

Entre as resistências que o discípulo encontra no seu caminho de seguimento do Senhor, uma em particular surge com força nos capítulos centrais do relato de Marcos: é a resistência à lógica da diakonia, lógica que anima profundamente o caminho de Jesus caracterizado pela obediência ao Pai e de seu amor pelos homens. Duas vezes Jesus deve voltar ao tema do serviço para educar os discípulos, relutantes nesta perspectiva (cf. Mc 9,33.35 e 10,42-45).

E esta intervenção de Jesus no serviço, que visa a corrigir a tentação em que os discípulos facilmente se envolvem, ocorre significativamente após o segundo e terceiro anúncio da paixão, morte e ressurreição (cf. Mc 9,30-32 e 10,32 -34); o discípulo esforça-se para aceitar esta palavra dura; esforça-se por ultrapassar um paradoxo que, no entanto, abre o olhar ao mistério do Filho do homem, ao mistério daquele que "não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate de muitos" (10, 45).

Mas o coração do discípulo está em outro lugar; ele não pode acolher esta palavra, fica fechado na sua incompreensão e no seu medo. É por isso que Marcos, um pouco antes, havia notado: “ E iam no caminho, subindo para Jerusalém; e Jesus ia adiante deles.

E eles maravilhavam-se, e seguiam-no atemorizados"(10,32). Precisamente neste contexto de 'distância' entre Jesus e os discípulos, enquanto ainda estão caminhando com ele, surge a pergunta surpreendente dos filhos de Zebedeu. Eles querem (é a reivindicação de poder) que Jesus favoreça a sede deles de carreira: " Concede-nos que na tua glória nos assentemos, um à tua direita, e outro à tua esquerda" (10,37).

Portanto, com uma facilidade que irrita os outros dez discípulos, Tiago e João pedem os primeiros lugares. No pedido deles surge mais uma vez a recusa em seguir a cruz que marca a passagem pela qual Jesus realiza o dom da sua vida.

E é precisamente nesta passagem que Jesus insiste na sua resposta aos discípulos: " Em verdade, vós bebereis o cálice que eu beber, e sereis batizados com o batismo em que eu sou batizado..." (10,39). Participar da glória deste Messias humilhado só é possível partilhando com ele a experiência pascal, permanecendo como ele fez, solidário com o homem na obediência ao Pai que escolheu este caminho para revelar a sua misericórdia.

E com força, as duas imagens do cálice a beber (imagem que volta ao Getsêmani: cf. Mc 14, 36) e das águas nas quais é necessário mergulhar, exprimem ao mesmo tempo o caminho da humilhação e da morte que Jesus está caminhando, tanto a plena partilha da realidade humana que o Filho de Deus assume. Esta é a tensão que anima o caminho de Jesus e é isso que deve importar ao discípulo.

A palavra de Jesus - esta me parece a mensagem útil para a nossa FLC - não pode ser reduzida a uma vaga exortação à humildade; é, de fato, critério de discernimento para o estilo de cada comunidade cristã entre cujos discípulos não pode haver lugar para a lógica do poder, mas apenas abertura ao espírito de serviço.

 

Do Evangelho segundo Marcos (Mc. 10, 42-45)

Jesus os chamou e disse: "Vocês sabem que aqueles que são considerados governantes das nações as dominam, e as pessoas importantes exercem poder sobre elas. Não será assim entre vocês. Pelo contrário, quem quiser tornar-se importante entre vocês deverá ser servo; e quem quiser ser o primeiro deverá ser escravo de todos. Pois nem mesmo o Filho do homem veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos".
 

"A caridade não divide o mundo entre quem dá sem receber e quem recebe sem dar".
(Pe. Diego Spadotto, em www.cavanis.org 18.10.2021)

Para os Fundadores, a formação não era uma armadura que os impedia de atender às necessidades da sociedade, principalmente dos jovens. Eles formaram os primeiros confrades combinando a experiência de vida com as crianças e o estudo da sabedoria não é um fim em si mesmo. Desde a queda da República de Veneza e nas guerras do Risorgimento italiano, eles têm enfrentado mudanças de governo, incutindo em seus confrades e jovens a atenção aos mais pobres e o compromisso social de serem “bons cidadãos”. Ensinaram os confrades e os jovens a considerar indispensável a independência econômica e psicológica daqueles que consideravam os pobres como "plebe", nos quais não valia a pena investir. A caridade não divide o mundo entre quem dá sem receber e quem recebe sem dar.

Anunciar programas a serem realizados na formação, como se faz hoje, de nada adianta se eles não forem realizados. É preciso sacudir a preguiça que cobre o caminho da formação como um cobertor opaco de indiferença e enfeita com costumes surdos à urgência da mudança. Na vida religiosa não se "entra", mas somos "acolhidos" e "o próprio Deus completará o que começou em nós" (Fl 1, 6).

Aí se dá conta que não se pode confiar em si mesmo, mas apenas no amor de Deus, porque não é uma estrutura que garante o bom sucesso em si mesmo. É o caminho no deserto com tudo o que envolve dificuldades. Para isso é necessário que a oferta da própria vida seja apenas uma resposta ao seu amor que nos chamou. A oferta da própria vida «em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus» (Rm 12,1), só é possível porque Deus chama e dá força. Não se busca um projeto pessoal, não é questão de uma decisão humana mas de um consentimento a Deus, é um gesto profético. A oferta é feita de um dom recebido: a vida.




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