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Entrevista feita com Superior Geral 3C
Como o senhor vê a atuação Cavanis neste tempo atual da pandemia? O Carisma Cavanis esta presente em vários países, na Ásia, África, Europa e América Latina e cada país, cada continente teve desafios locais próprios e alguns em comum como as escolas fechadas, as igrejas, as obras de acolhida para jovens e crianças tiveram atendimento modificado e reduzido. Já na Europa e América Latina - Brasil, Equador, Bolivia e Colombia - a situação foi muito complicada e estamos acompanhando o desenrolar dos acontecimentos, ainda estamos em plena "tempestade". A comissão de saúde da Europa já fez um alerta para que sejam tomadas medidas de prevenção mais intensas porque a tendência é o aumento dos casos. Estamos no mês de janeiro de 2021, depois de um ano praticamente, ainda temos um risco muito alto de contágio.
A nossa oração e esperança, é que, o mundo consiga ter imunidade para este vírus o quanto antes. O Papa Francisco já fez vários apelos para que essa vacina não se restrinja somente aos países ricos, mas que seja também liberado o acesso aos países emergentes, os países pobres. Em cada situação estamos consolidado a nossa presença na forma que é possível, contando com a cooperação dos benfeitores na promoção humana e vocacional, seguimos a cada dia buscando encontrar meios de continuar o nosso trabalho e missão. Mas até que esta imunidade não seja alcançada vamos viver ainda alguns meses nessa tensão de fechamentos, restrições e de bastante prevenção e atenção para que a situação não se agrave. Do ponto de vista do Carisma nos vamos adequar nossa ação de acordo com cada necessidade e realidade, dando continuidade as atividades com todo nosso empenho, conforme for possível.
O Carisma Cavanis tem como proposta acolher, proteger e educar os jovens e as crianças e com esta epidemia aumentou o número de crianças fora da escola, a educação se fragilizou por se restringir a aulas online sem a possibilidade das aulas presenciais. Vimos isso principalmente naquelas regiões onde o sistema educacional já era frágil e agora a situação se agravou ainda mais. Muitas crianças e jovens da América Latina e da África não tem acesso a um computador e a internet. As famílias não tem condições de ter acesso e os sistemas destes lugares são ineficazes, como o caso da República Democrática do Congo onde há falta constante de energia elétrica. O momento atual e também o retorno será um processo difícil, até porque não sabemos quando a rotina será normalizada. Nossa missão e carisma é fazer todo o possível para minimizar estes efeitos e inspirados pelo Espírito Santo concentrar nossas forças e fazer tudo aquilo que é necessário para que a qualidade da educação e acolhida destas crianças e jovens se faça da melhor forma possível.
As profissões religiosas dentro de uma Congregação significam que esta família religiosa tem fecundidade, tem vigor, são novos membros que vêm, podemos dizer, reforçar a missão e o apostolado. São como filhos para uma família. Uma família ou sociedade que não tem filhos é uma sociedade que envelhece e encontrará dificuldades, terá como consequência o seu desaparecimento. Para nós é uma grande alegria acompanhar esses jovens chamados por Deus que deram sua resposta, no amadurecimento e no engajamento, para que eles possam ser realizados em sua vocação e que possam trabalhar na messe do Senhor. Como disse Jesus, a messe é grande e os trabalhadores são poucos. Eles são reforço, a graça que Deus envia para sua Igreja e para o mundo. O mundo precisa ser evangelizado e precisa ter trabalhadores qualificados que anunciem a verdade, a paz, e que promovam a justiça e o bem.
Duas decisões, ou dois comportamentos muito importantes podem nos ajudar. Eles meditavam a palavra de Deus, eram homens de piedade e buscavam a santidade, homens de amor para com Jesus Cristo e a sua Igreja. O segundo ensinamento é que, eles eram atentos ao contexto do que acontecia ao redor, eles sabiam ler os sinais do seu tempo, eles viram a situação das crianças daquela época que estavam em perigo, sem possibilidade de serem educadas e sem serem acolhidas. E mediante isso eles foram ousados, tomaram a iniciativa de fazer algo, se doaram e fizeram aquilo que Deus indicava que eles deviam fazer. Inspirados por Deus, por sua palavra, e com olhar voltado para realidade, eles sentiram compaixão, sentiram a dor daquelas crianças e jovens e assumiram eles como seus filhos. Aprendamos deles estas duas inspirações: A escuta da Palavra de Deus que nos ilumina, aumenta nossa fé e da força, e também este olhar de compaixão, de proximidade, sem ter medo... e como disse o Papa Francisco, de ir além, se aproximar de realidades que por vezes nos incomodam, que nos tiram de nosso comodismo, de nossa "tranquilidade" e "falsa paz". Os veneráveis irmãos, Antônio e Marcos Cavanis, se lançaram na missão e fizeram aquilo que viram ser possível e que deveriam fazer, muitas vezes indo muito além de suas próprias forças e capacidades físicas, financeiras e emocionais se doando completamente sem economizar esforços. |
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