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Crianças, adolescentes e jovens que frequentavam os ambientes e atividades dos padres Antonio e Marcos Cavanis Pintura com a imagem de Padre Antonio e Padre Marcos Cavanis.E’ fácil comportar-se como “benfeitor” quando se trata de pobres: “Não sejais como os potentes que dominam as nações e querem ser chamados de benfeitores…” (Lc 22,25). Caridade é questão de coração e atenção muito mais que de esmola ou coisas materiais. A missão educativa, entendida como ex-ducere (extrair) ou como conduzir / acompanhar, é questão de amor, cuidados, caridade, assim como conceberam Pe. Antonio e Pe. Marcos Cavanis duzentos anos atrás numa Veneza em decadência onde era muito dificil para os jovens fazerem escolhas, traçarem metas e sonhar um futuro possível. Entao, amparados pela Providência dedicaram-se a salvar a boa semente dos valores humanos e cristãos das famílias valendo-se do método de “acolher, cuidar da pobre juventude dispersa”. A verdadeira beleza da juventude é aquela que os olhos que nao veem. O essencial é invisível aos olhos. Em um de seus livros G. Guareschi imagina este diálogo: “Dom Camillo abriu os braços: Senhor, o mundo vai ao encontro de sua destruição? O Crucificado respondeu: “Dom Camillo, por que tanto pessimismo? Então o meu sacrificio teria sido inutil? A minha missão entre os homens teria falido?”... “Não Senhor, nao queria dizer isso, respondeu Dom Camillo, queria somente dizer que as pessoas acreditam somente naquilo que veem e tocam. O Crucificado respondeu: “Mas existem coisas essenciais que nao se veem e não se tocam: amor, bondade, honestidade, esperança”. Os Cavanis nao fixaram o olhar nas coisas visíveis mas naquelas invisíveis. As coisas visíveis são efêmeras e as invisíveis são eternas” (2Cor 4,18).
O Espírito Santo levou os jovens sacerdotes Cavanis a conhecerem a situação da infância e da adolescência masculina e feminina de Veneza no fim de 1700 e primeira metade de 1800 e os preparou para que se dedicassem durante toda a vida à educação dos jovens. Nos seus escritos os dois apresentam as múltiplas e sofridas condições de vida dos jovens: “alguns são filhos de pais pobres mas que procuram educar e instruir os filhos; mas a maioria nao possui nenhuma instrução religiosa ou escolar e vivem à mercê de si mesmos, não frequentando nenhuma escola.
Para esses é necessario uma escola diferente onde nao encontrem apenas um professor mas um pai e uma disciplina amorosa. Também as meninas e as jovens precisam de uma escola de caridade, especialmente em quatro bairros da cidade. As crianças pobres eram apresentadas a eles pelos seus párocos que garantiam que suas famílias viviam em verdadeira situação de pobreza e com um atestado medico que comprovasse não possuirem doenças contagiosas. E caso nao tivessem ninguém por eles, os professores tinham que pensar em tudo. Os jovens com mais dificuldades, seja na escola que em família, recebiam uma assistência maior. E tudo gratuitamente. Os jovens que os Cavanis “reúnem” para frequentarem a Escola, o Pátio e o Oratório, instrumentos simples mas eficazes para atingirem a formação humana e cristã, são os mais pobres. A Escola para a instrução, o Oratório para a oração e o Pátio para os jogos e brincadeiras, tornaram-se muito rapidamente um ponto de convergência para a juventude masculina da Paróquia deles. Mas os Padres tiveram que enfrentar muitas dificuldades, especialmente no inicio, porque as disposições governamentais frequentemente proibiam atividades com as crianças com exceção da Santa Missa. No ano de 1815 os alunos da Escola eram cerca de 200, distribuídos em 08 classes.
Nos dias festivos circulavam no Oratório cerca de 300 meninos. Na Escola, logo tiveram que dizer não a muitos meninos que vinham de outros bairros da cidade, por falta de salas e professores que em 1815 eram 08: dois leigos e seis sacerdotes incluindo os Fundadores. O grande desejo e compromisso deles era estender as Escolas a todos os Bairros ma nao conseguiram encontrar imóveis, nem mesmo de propriedade da Igreja, que tivessem um Oratório, um Pátio e “bons professores”. Pequenos grupos de jovens maiores e mais maduros frequentavam a Congregação Mariana, outros com dificuldades escolares eram endereçados à Gráfica e à Casa do trabalho.
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